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Troca de cartas envolve gerações na alfabetização

As tradicionais cartas manuscritas ficaram de lado com o advento da tecnologia, isso porque as pessoas estão cada vez mais em busca da rapidez. Tudo se transformou em digital, ninguém mais fica ansioso para receber a visita do carteiro que sempre levou as cartas de amor aos apaixonados, as cartas de familiares distantes que as esperavam para “matar” a saudade, entre tantos outros motivos alegres e até mesmo tristes.

Quantas pessoas até o final da década de 90 não recebeu uma carta de amor? Essa nova geração pouco sabe o que é isso e muitos não sabem nem mesmo como se deve endereçar uma simples carta.

“Realmente as pessoas estão muito mais conectadas e deixaram de escrever cartas. Me lembro que muitos guardavam até os envelopes das cartas que recebiam, isso fazia com que lembrassem daquele momento único. Atualmente é tudo mais ‘mecanizado’, envia-se algo, por e-mail ou alguma rede social, e espera-se receber resposta em poucos minutos, e caso a pessoa não responda isso é motivo de chateação para quem enviou. Até a década de 90 esperávamos o carteiro, até por 15 dias, para receber uma simples resposta.”, relata a psicóloga Carmem Arantes Lima.

Agora imaginem um jovem de apenas sete anos, que está sendo alfabetizado, aprender a escrever uma carta, e depois se corresponder com uma pessoa, bem mais velha e que ele não tem nem ideia de como é fisicamente, e muito menos o que faz no dia a dia, mas que pode ter muito em comum com ele, pois ela também está sendo alfabetizada.

Foi pensando nisso que criou-se o Projeto “Trocando cartas – passado e presente”, que nesse ano envolveu a troca de correspondências entre os estudantes do 5º ano de Ensino Fundamental da escola municipal Moacyr Martins dos Santos e o grupo de alunos de alfabetização do Centro de Referência do Idoso (CRI), com a finalidade de melhorar o índice de desempenho dos alunos desenvolvendo as habilidades de leitura e produção de texto.

“Queremos propiciar o desenvolvimento de ações de interação a partir da correspondência escrita, assim proporcionando aos alunos observarem, perceberem, refletirem e estabelecerem laços afetivos através do uso da linguagem, ampliando sua visão de mundo”, relata a professora e uma das idealizadoras do projeto, Maria José Muraqui (Zeza).

Uma das etapas do projeto é conhecer o funcionamento de uma agência dos Correios, como as cartas chegam, são separadas e posteriormente entregues aos seus destinatários. O grupo de idosos e crianças puderam ver de perto todo o procedimento e ficaram encantados.

“Muitas vezes recebi cartas pelos Correios, mas nunca soube como era todo o mecanismo, e quando fomos até a agência pudemos aprender e ver na prática tudo”, ressalta a integrante do CRI, Julieta Silva.

Inicialmente as professoras até pensaram em colocar as cartas nos Correios, entretanto o curto tempo para a finalização do projeto não possibilitou. Logo, elas mesmas fizeram o papel de carteiro.

“Quando as crianças receberam as cartas foi muita emoção, porque tinham perguntas simples, mas muito sinceras de pessoas que estavam se interessando pelo projeto. Fizemos a leitura das cartas juntos e cada um foi sendo orientado a responder”, afirma a professora e também idealizadora do projeto, Andréa Calora Venturino.

Quando os jovens estudantes leram as cartas começaram a se surpreender com a idade revelada nas cartas, muitos até chegaram a dizer que era “pegadinha”, isso porque duvidavam que uma pessoa com mais de 70 anos poderia estar sendo alfabetizada agora.

As professoras decidiram, portanto que as crianças e os idosos precisavam se conhecer pessoalmente, por isso marcaram uma grande festa que foi realizada no final de Novembro, na EMEB. “Moacyr Martins dos Santos”.

“Pedimos para os jovens fazerem um cartão de Natal para quem estavam se correspondendo, e no dia eles puderam entregar, e ganharam bombons dos idosos”, diz Zeza Muraqui.

Além de se conhecerem pessoalmente e poderem conversar, todos puderam descobrir qualidades em comum e até trocar telefone.

“Muitos até trocaram telefones, então temos a certeza que essa amizade transcenderá os muros da escola”, avalia a professora Zeza.

No final todos puderam assistir um brilhante espetáculo encenado pelos pequenos atores e atrizes do CIT (Curso de Iniciação Teatral) de Cravinhos, sob a direção da professora Naná Bertchelly, com a peça “O flautista de Hamelin”.

Vale ressaltar que durante o encontro das duas salas de alfabetização ocorreu a presença da diretora da EMEB. “Moacyr Martins dos Santos”, Luciana Lucca; da coordenadora da escola, Luciane Medeiros; e das professoras e idealizadoras do projeto, Zeza Muraqui e Andréa Calora.

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